• São Mateus, 02/07/2026
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TJES mantém prisão de ex-subsecretário investigado na Operação Desbaste

Justiça entendeu que ainda há risco de interferência nas investigações sobre suposto esquema de fraudes em contratos públicos em São Mateus


TJES mantém prisão de ex-subsecretário investigado na Operação Desbaste

O Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) manteve a prisão preventiva do ex-subsecretário de Obras de São Mateus, Francyberg Mota Ribeiro, investigado na Operação Desbaste, deflagrada pela Polícia Federal (PF) para apurar um suposto esquema de fraudes em contratos públicos, corrupção, peculato e lavagem de dinheiro.

A decisão foi proferida pela desembargadora Rachel Durão Correia Lima, que negou o pedido de habeas corpus apresentado pela defesa. Segundo a magistrada, permanecem os requisitos que justificaram a prisão decretada pela 2ª Vara Criminal de Conceição da Barra, especialmente o risco de interferência nas investigações.

De acordo com a Polícia Federal, Francyberg integra o chamado núcleo político-administrativo da organização investigada. A apuração aponta que, entre 2021 e 2025, ele teria utilizado sua influência na Secretaria Municipal de Obras para beneficiar a empresa São Gabriel Ambiental e Terraplenagem, investigada por supostas irregularidades em contratos públicos.

As investigações citam contratos que somam mais de R$ 18,6 milhões, tendo como um dos principais focos o Pregão Eletrônico nº 33/2023, que, segundo a PF, teria causado prejuízo estimado em R$ 931 mil aos cofres públicos.

Ainda conforme a investigação, o ex-subsecretário teria atuado para acelerar medições de serviços, favorecer aditivos contratuais e viabilizar reequilíbrios econômico-financeiros considerados indevidos, em troca de vantagens ilícitas. A PF também apura a utilização de empresas e pessoas interpostas para ocultar a movimentação dos recursos.

No pedido de habeas corpus, a defesa alegou que Francyberg é o único investigado que permanece preso, que não ocupa mais cargo público e que as principais provas já foram colhidas. Também sustentou que não haveria contemporaneidade para justificar a prisão preventiva.

Ao rejeitar os argumentos, a desembargadora afirmou que os fatos investigados se estenderam até o fim de 2025 e que ainda existe risco concreto de obstrução das investigações. Segundo a decisão, a influência política exercida anteriormente pelo investigado reforça a necessidade da manutenção da prisão.

Deflagrada em maio deste ano, a Operação Desbaste investiga um suposto esquema envolvendo agentes públicos, empresários e operadores financeiros, suspeitos de fraudar licitações, direcionar contratos e ocultar recursos obtidos de forma ilícita em contratos firmados com a Prefeitura de São Mateus.


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